América Latina - um "continente" esquecido?
Comentário sobre o Livro:
REID, Michael. Cap.1 “O CONTINENTE ESQUECIDO” In: O Continente esquecido: A batalha pela Alma Latino-americana. Rio de Janeiro. Ed: Elsevier, 2008.
REID, Michael. Cap.1 “O CONTINENTE ESQUECIDO” In: O Continente esquecido: A batalha pela Alma Latino-americana. Rio de Janeiro. Ed: Elsevier, 2008.
O autor tenta mostrar porque a América Latina é um continente esquecido politica e economicamente falando. Quando se fala de América Latina, o mundo lembra logo de sua cultura, da música brasileira, do tango argentino, da herança deixada pelos maias, incas e astecas. A América Latina não é tão pobre para que se lembrem dela querendo ajudar financeiramente, não é perigosa para que o mundo se volte estrategicamente contra ela e não vive um crescimento econômico rápido. Logo, é culturalmente que nosso “continente” se faz sentir no mundo.
A América Latina junto com Europa e América do Norte, “forma o terceiro maior grupo de democracias do mundo”. (p.4) Mesmo possuindo uma democracia, não abrigando mais ditaduras, nosso continente possui a maior desigualdade em distribuição de renda, “tem a distribuição de renda mais desigual do mundo”. No inicio do século 21 cerca de 205 milhões de pessoas da América Latina se encontravam a baixo da linha nacional de pobreza de seus países.
O trabalho apresentado por Reid consiste em mostrar como a América Latina tem tentado desenvolver um capitalismo democrático. A América Latina seria um laboratório de testes da democracia. Os esforços dos países são de ter sistemas políticos eficientes e equitativos juntamente com crescimento econômico e desenvolvimento. Reid escreve esse livro com toda propriedade, pois percorreu diversos países da América Latina, morou no Brasil, no Peru, viveu durante muito tempo na região, cobriu a América latina como repórter pela BBC, o Guardian, e The Economist.
Da esperança à decepção
O autor mostra que em 1994 exceto cuba e México eram países democráticos na América latina, os países estavam vivendo uma “onda democrática” desde 1978, pois aboliram ditaduras “sangrentas e nefastas” adotaram um política de livre comércio, o que o autor denomina Consenso de Washington ou “Neoliberalismo”. A adoção dessas politicas, contra a politica de proteção do Estado gerou muito otimismo. O autor fala que tão depressa como o capital tinha chegado ele podia ir embora. A principio essas medidas trouxeram um crescimento econômico, porém, foram acompanhadas por crises, o que o autor chama de meia década perdida, as reformas de livre mercado caíram em descrédito, juntamente com as privatizações, que eram associadas a corrupção. O consenso de Washington foi acusado pela crise econômica da Argentina, essa acusação é errônea, pois o Chile conseguiu atingir um estagio democrático segundo os termos da ciência política, a Argentina quebrou por motivos de erro dos seus governantes, os quais põem a culpa no neoliberalismo. A América Latina segundo o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas não desenvolveu uma democracia de cidadãos.
Para Reid o problema não é o consenso de Washington, a pobreza, as desigualdades não foram criadas por ele. O problema não são as reformas econômicas, mas aquilo que não foi reformado, as instituições e o Estado. Os problemas já existiam antes do consenso. O autor reconhece e argumenta que “democracias de massa genuínas e duráveis surgiram em boa parte da região”, o autor argumenta que em alguns dos países da região a democracia pode ser revertida, mas em boa parte está prestes a ser consolidada, e isso é um processo recente. Entre progresso e tentação populista, durante muito tempo o populismo impediu que a democracia se estabelecesse na região. Por populismo o autor entende como um tipo de politica em que o líder carismático se passa por salvador, como um herói, na qual é embaçada a imagem de governo, líder, partido e Estado, nessa politica o executivo se sobrepõem aos demais poderes. Em segundo lugar o líder populista distribui renda ou riqueza de maneira insustentável, são exemplos de lideres populistas, Getúlio Vargas, Perón, José Maria Velasco. O populismo ainda persiste em alguns países da região, segundo o autor, a população pobre se identifica com o líder populista por este se considerar um deles, geralmente há uma identificação étnica(é o caso de Evo Morales).
Uma e muitas Américas Latinas
Neste subtópico o autor mostra que há uma grande diferença entre os países da América Latina ele faz uma análise breve de “algumas das diferenças na cultura, na história e no panorama dos países que constituem a região.”. Primeiramente o autor fala sobre o Brasil, um país que foi marcado pela escravidão, e segundo o autor o racismo no Brasil é sutil diferentemente de outros países da região. No Brasil racismo nunca foi sinônimo de segregação racial. Em fim, o autor descreve um pouco da história dos países que ele acha que constitui a “América Latina”, define esse termo, e fala o percurso histórico desses países, o momento da ditadura, mostra também a situação econômica ao longo dos anos, principalmente durante o período de ditadura. No final do capítulo o autor debate sobre a ideia dos brasileiros serem ocidentais ou não, por possuir uma grande diferença dos outros países ocidentais, os latinos americanos se veem como parte do mundo ocidental, mas o mundo “ocidental” vê como um lugar diferente, um “Extremo Ocidente”.
Acredito que não exista “América Latina”, prefiro ficar com a denominação América do Sul, América do norte, etc..., América Latina a meu ver é um termo de diferenciação racial, o próprio autor fala que existe uma América Latina dentro dos Estados Unidos.
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