O dia que C.S. Lewis discordou de Santo Agostinho:
“Não permita que a sua felicidade dependa de algo que possa perder”. Essa frase é atribuída erroneamente a C.S. Lewis, em imagens e frases de efeito na internet. Lewis de fato cita ela, mas em seguida a contrapõe. Ele afirma que essa frase é de Agostinho, dita após a perda de seu amigo Nebridius. Após essa perda, Agostinho conclui que como todas
as coisas morrem, o único jeito de ter segurança é entregar o coração somente a Deus, o “Amado que jamais partirá.”. Para Lewis essa tentativa de segurança é um erro, e está aí sua oposição ao grande teólogo. Para Lewis não há segurança contra as desilusões do amor, “amar é ser vulnerável”, mas para ele é melhor ser vulnerável do que se fechar ao amor, ser apático ou frio. A pessoa que ama demais, estaria mais próximo de Deus do que a que ama menos. Essa busca de segurança nas Confissões de Agostinho, seria “mais um remanescente das filosofias pagãs que o cercavam do que parte de seu cristianismo. Elaestá mais próxima da apatia estoica ou do misticismo neoplatônico do que da caridade.”. (LEWIS). Lewis afirma “de minha parte, prefiro seguir Aquele que chorou sobre Jerusalém e
sobre o túmulo de Lázaro e, amando a todos, tinha, porém, um discípulo a quem ele "amava" num sentido especial. Para o autor, não existe alívio na sugestão de Agostinho, não existe investimento seguro. “Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife - seguro, sombrio, imóvel, sufocante - ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação. O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno.”
Esta frase de Lewis é a resposta ao pensamento de Agostinho. Para ele, “Cristo não ensinou e sofreu a fim de nos tornarmos, mesmo em nossos amores naturais, mais cuidadosos com nossa própria felicidade. […] Ele nada diz sobre guardar-se dos amores terrenos por medo de ferir-se, mas afirma algo que estala como um chicote a respeito de esmagá-los sob os pés quando tentam impedir-nos de segui-lo.” Sendo assim, “iremos nos aproximar mais de Deus aceitando os sofrimentos inerentes a todos os amores e oferecendo-os a Ele, em lugar de fazer tudo para evitá-lo”. A solução seria amar mais a Deus do que nossos amores terrenos e naturais, a Caridade, que é o
amor propriamente divino, deve inundar os outros amores (Afeição, Amizade, Eros/Vênus). "A verdadeira pergunta é a quem você serve, ou prefere, ou coloca em primeiro lugar […] Podemos amá-lo demais em proporção ao nosso amor a Deus; mas é a insignificância de nosso amor por Deus e não a grandeza de nosso amor pelo homem que constitui o excesso, embora mesmo isto precise ser aperfeiçoado.” Sendo assim, concluo parafraseando Lewis precisamos nos despojar do que ele chama de Armadura defensiva, pois se Deus quiser que nosso coração seja partido, que assim seja.
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